Análise – Kingdom Come: Deliverance

kingdom come deliverance

 

Deep Silver

Warhorse Studios

RPG

13 de fevereiro de 2018

Inglês

Inglês, Espanhol, Italiano, Russo, Polaco e Checo

Não

PC, PlayStation 4 e Xbox One

 

A Idade Média foi um período da nossa historia onde boa partes das nossas regras sociais atuais não tinham nenhum valor, e onde a queda de um rei tinha graves consequências em toda uma região. Devido a isso, é uma época que atrai muito interesse daqueles que procuram saber mais sobre o passado e daqueles que procuram essa época como ambientação para as suas historias. Porém, algo que se tornou padrão nos livros, filmes, séries e até jogos é combinar tudo isso, com elementos de fantasia, com magias, criaturas fantásticas, elementos muitas vezes criados unicamente para aquele universo idealizado, eis que no início de 2018, o estúdio independente checo, Warhorse Studios, quis fugir de tudo isso ao trazer o máximo de realismo com Kingdom Come: Deliverance.

Tudo isso teve início a 22 de janeiro de 2014, uma época onde cada vez mais campanhas de financiamento coletivo estavam a surgir e com uma meta de 300 mil libras para iniciar o projeto, a Warhorse iniciou a campanha no Kickstarter que alcançou um sucesso incrível, em apenas 36 horas a atingir o objetivo e a arrecadar no total mais de 1 milhão de libras. Mas até por isso, o estúdio tinha em mãos um projeto de peso, já que precisava responder aos mais de 35 mil colaboradores e mais alguns milhões de pessoas que pouco a pouco ficavam mais interessadas naquilo que o projeto tinha a oferecer.

E quatro anos depois, no dia 13 de fevereiro de 2018, o jogo finalmente chegou as lojas em formato físico e digital, mas será que correspondeu as expectativas? Desde já posso dizer que essa resposta possui muitos fatores que irei explorar durante essa análise que já se preparem pois ficou longa.

Como poderão ver na própria introdução no final desta análise, a historia de Kingdom Come: Deliverance tem início no século XV na Bohemia, que enfrenta momentos de grande tensão após a morte do adorado por todos Charles IV. Com a sua morte o seu filho, Wenceslaus IV que havia sido preparado a vida toda para esse momento, assume o trono, porém, ele não possui o mesmo dom e desejo do seu pai e pouco a pouco começa a afundar o reino com a sua vida de diversão e pecados. E é nesse momento que surge o seu meio-irmão, Sigismund, Rei da Hungria, que decide tomar uma decisão extremamente radical, reunir um grande exército e atacar as várias regiões da Bohemia com o objetivo de dominar aquelas terras e assumir o trono. Já ai o jogo mostra o quanto está dedicado ao realismo, já que todos eles realmente existiram na vida real.

A partir dai a nossa historia começa com o protagonista do jogo que se chama Henry, o filho do maior ferreiro da região de Skalice, que acorda um dia após uma noite de bebida com os amigos, e é lembrado pela sua mãe que precisa falar com o seu pai já que ambos estão encarregados de forjar uma espada para o Hetman do Rei Wenceslaus, Sir Radzig Kobyla. É então nos dada algumas missões simples e que não vão ajudar a estar mais ambientado com as mecânicas do jogo. Porém, essa aparente tranquilidade rapidamente é destruída, quando os soldados checos sob o comando de Sigismund atacam Skalice, a matar a todos que não conseguiram fugir, incluindo os pais de Henry bem na sua frente, Henry então consegue fugir e tem início ai a nossa jornada de aprendizado e vingança.

Kingdom Come: Deliverance não vai trazer uma historia inovadora e nem colocar o jogador na pele de um grande protagonista ou alguém que possui habilidades naturais para se tornar extraordinário, muito pelo contrário somos o filho de um ferreiro que nem ao menos sabe segurar uma espada, não tem a melhor lábia do mundo e muito menos possui uma característica a se destacar, no máximo, a sua maior habilidade é levar uma caneca de cerveja a boca. O jogo também não possui um mecânica inovadora, a seguir o conceito de missões principais e secundarias que nos serão dadas ao interagir com alguém ou uma situação e que nos permitirá aprender um pouco mais sobre aquele universo e preparar melhor Henry para o seu objetivo de vingança.

Mas o que falta em inovação, Kingdom Come: Deliverance traz na sua historia. Para além de inspirações em historias e fatos da região de Bohemia (atual República Checa), o jogo traz consigo uma historia que possui uma construção narrativa muito interessante e com os pés bem assentes no chão. Mas existe um detalhe que talvez faça toda a diferença na hora da escolha ou não do jogador por Kingdom Come: Deliverance, a sua velocidade. Eu fiz questão de que o gameplay ao final desta análise fosse feito no meu primeiro contato com o jogo, mas de qualquer maneira toda essa introdução da historia feita acima, não foi possível ser mostrada na sua totalidade, já que 1 hora de gameplay foi apenas suficiente para explicar a tensão que se vive na região, introduzir Henry e a sua família, reunir aquilo que o pai do protagonista havia pedido e começar a forja da espada. O que quero dizer com isso, é que basicamente, ao contrario de muitas séries e jogos de RPG que tentam trazer uma experiência mais rápida e imediata, o jogo basicamente pede que o jogador sente a frente da sua TV ou monitor e dedique realmente horas e horas de muita paciência, pois, nada irá acontece com rapidez e num ritmo frenético, algo que poderá agradar àqueles que realmente procuram por uma narrativa bem detalhada e expansiva (o meu caso), ao mesmo tempo, que pode frustrar aqueles que procuram por um jogo com mais ação.

A narrativa tem um fator muito importante no jogo, que é justamente através dela que muitas vezes iremos saber para onde devemos ir. Infelizmente cada vez mais os jogos, principalmente nos últimos anos dão ao jogador tudo muito pronto, com até indicações do caminho que devemos seguir para chegar lá, opção de movimentação automática em certas situações e até ícones no nosso objetivo para saber exatamente o que devemos fazer, em Kingdom Come: Deliverance isso definitivamente não acontece. Haverão momento em que realmente será através do dialogo que iremos saber para onde devemos ir, mas o caminho ao qual devemos seguir para lá chegar cabe ao jogador descobrir. Onde é exatamente o local? Haverá situações onde há uma marcação no mapa (algumas vezes nem haverá essa marcação), mas de que lado exatamente está, em que cómodo da casa está aquele objeto ou como deverá escapar de um local, ficará a cargo do jogador descobrir através da exploração. Isso por um lado abre muitas possibilidades e incentiva fortemente a exploração, mas, por outro lado, pode frustrar aqueles que novamente estavam a espera de um jogo como uma cadência de acontecimentos mais rápida.

O jogo traz uma visão em primeira pessoa, algo que claramente teve como objetivo trazer uma maior personalidade ao personagem, já que devido ao fato do jogador não ter nenhuma influência na aparência do personagem, como acontece em outros RPGs, essa visão ajuda ao jogador a ver o mundo através do olhos de Henry e ter uma melhor imersão nesse universo. Obviamente que sendo um jogo que mesmo após algumas atualizações desde o seu lançamento até o momento que essa análise foi escrita, ainda precisamos de muitas melhorias, nem sempre essa visão irá funcionar perfeitamente para todas as situações, mas ainda assim é uma escolha valida e totalmente compreensível do estúdio e que realmente aumenta a imersão do jogador, num universo onde isso faz toda a diferença. Porém, essa visão será quebrada na cutscenes quando, a câmera assumirá uma visão mais cinematográfica a mostrar de maneira mais ampla os personagens e a ambientação na qual estamos naquele momento.

Mas algo que nos últimos meses foi repetido vezes e vezes sem conta é o realismo de Kingdom Come: Deliverance, mas esse realismo está apenas na historia? Definitivamente não. Praticamente tudo, o que fizer no jogo terá uma influência real, até mesmo detalhes que poderiam passar despercebidos em muitos outros jogos. Por exemplo, no início do jogo, temos uma vasta opção de alimentos para se alimentar ou “roubar” na nossa casa, o que poderia em outros jogos ser positivo já que só iria nos alimentar ou até aumentar a nossa barra de vida ou stamina, mas em Kingdom Come: Deliverance isso é levado um pouco além, já que ao comer muito, o nosso personagem começará a se sentir muito cheio (com o símbolo de um porco a aparecer próximo a nossa barra de vida) isso não apenas influenciará a longo prazo nosso personagem, como no próprio combate e em diversos fatores. Dormir também será essencial quando estamos cansados e o local onde iremos descansar também terá influência no personagem ou por último e de certa maneira até uma dica para quem estiver a dar os seus primeiros passos no jogo, a aparência do nosso personagem terá uma grande influência na maneira como os outros nos veem, então tentar fazer negócios com um mercador a utilizar roupas comuns e cheias de sangue não irá favorecer os preços praticados, já ao se lavar após um combate e vestir roupas melhores, os negócios irão fluir de maneira mais favorável ao jogador, algo muito importante já que dinheiro não será um recursos muito abundante.

Esse realismo também trará ao jogador uma sensação maior de risco durante os combates. Por ser um jogo mais focado na narrativa, não iremos enfrentar constantemente outros personagens, mas quando eles acontecerem, realmente o jogador irá se sentir na Idade Media. Henry não terá apenas uma baixa resistência a golpes de espada e setas/flechas, mas também o próprio sistema de combate irá levar o jogador a sentir o peso das suas ações, com dois tipos de ataques corpo-a-corpo (equivalentes a ataque rápido e ataque forte), bloqueio e pontapé e cada um deles dividido em seis posições diferentes, ou seja, não basta saber se defender ou atacar no momento certo, é preciso que o seu ataque não vá de encontro a defesa do inimigo ou preparar uma defesa que seja imbatível a cada novo golpe, além disso, analisar os momentos certos para o contra-ataque e se isso não fosse suficiente ter uma boa noção daquilo que está ao seu redor, já que os inimigos não vão somente se ataque frente a frente e de maneira individual durante todo o jogo, haverá momento em que poderá ter total domínio da movimentação e golpes, mas acabar cercado por outros inimigos e se não souber lidar com a situação, a morte irá te fazer uma visita bem rápida.

Igualmente importante é ter em consideração ao utilizar um arco que não estamos a falar de uma época cheio de tecnologia onde a seta/flecha faz uma grande curva na horizontal para atingir um inimigo e nem vai completamente em frente independente da distância que é disparada, apesar de não ser extremamente exigente, o jogador terá que levar em consideração a sua distância e a distância ao alvo, então se estiver um distante do seu alvo, não hesite em compensar isso ao disparar um pouco acima do local onde gostaria de atingir.

Mas para aqueles que estão preocupados com essa exigência, Kingdom Come: Deliverance não é um jogo com um sistema de combate impossível, ele apenas requer do jogador uma dedicação para conversar com eventuais personagens que possam te ajudar a aprender com detalhes cada elemento e principalmente praticar sempre que for possível, afinal, Henry não tem habilidades naturais, o jogo deixa bem claro que o melhor combustível nessa historia para uma mudança de personalidade e capacidades é a vingança, mas não espere que o protagonista se torne um exterminador, vale sempre lembrar, estamos diante de um jogo que preza pelo realismo.

Ainda dentro do elemento de combate, outro fator importante que o jogador deverá dominar é a utilização da armadura que é dividida em várias partes que podem ser utilizadas individualmente, ou seja, caso queira uma maior mobilidade poderá utilizar apenas algumas peças em locais onde achar mais importante, já que quiser uma proteção total (o escudo ainda será importante, pois, estamos a falar em redução e não negação de dano) poderá utilizar os 14 slots, mas como consequência o gasto de stamina irá ser considerável e ficar sem stamina é quase tão ruim quanto não ter nenhuma defesa.

Ou seja, o conceito mais básico de todos e que todo jogador deverá dominar caso queira ter uma experiência completa no jogo é saber conjugar cada elemento de uma maneira correta e em sinergia com o outro, então não basta só saber disparar bem o arco se simplesmente esqueceu de descansar, ou não basta explorar de maneira incrível os locais e conseguir ouro para ter melhores equipamentos, se quando vai conversar com o mercador está com a roupa suja de sangue, tudo por mais banal que possa parecer terá um efeito no jogo. Então se alimente bem (mas não muito), aprenda que o descanso é essencial e saiba explorar cada elemento do combate ao seu favor e mesmo que o sentimento de estar próximo da morte nunca desapareça, essa possibilidade dificilmente se transformará em realidade.

Um detalhe que vale ser mencionado e que mostra uma outra influência desse realismo no jogo, é as missões urgentes. Sem entrar em detalhes muito específicos, caso um personagem te peça para ir buscar um medicamento para o seu filho que está muito doente, não pense que poderá simplesmente ignorar esse detalhe e se aventurar pelo mundo e quando não estiver a fazer nada completar essa missão. Se o filho dele está muito doente, ele realmente precisa desse medicamente e caso não receba, a única “recompensa” que receberá é a mensagem de missão falhada.

Um elemento que irá ser alterado no futuro, através de um patch, mas que ainda está bem presente até o momento que essa análise foi escrita, é o sistema de save. Não é possível salvar em qualquer lugar e a todo momento, já que para isso só existem duas opções. A primeira é através de uma bebida que permite salvar em qualquer lugar, mas que possui álcool, ou seja, terá efeitos negativos e possui um custo alto principalmente para o início do jogo, a segunda opção é Henry dormir, o que nem sempre será possível a depender de onde estiver.

Mas como já foi dito, apesar do combate ser importante, não estamos diante de um jogo onde a cada passo que dá irá surgir um novo inimigo a querer a sua cabeça (a menos…já explico). Ainda durante o início do jogo, existe um dialogo entre Henry e o seu pai que define bem aquilo que Kingdom Come: Deliverance se propõe a trazer ao jogador. Após, Henry juntamente com os seus amigos resolverem se vingar de um personagem que andava a criticar o Rei, Henry se mostra confiante de que fez aquilo que deveria e o seu pai lhe repreende ao dizer que basicamente saber lutar é importante, mas ainda mais importante é saber o valor do dialogo e realmente a melhor arma que teremos em todo o jogo, é o dialogo.

O sistema de dialogo é dividido em três fatores, o próprio dialogo a utilizar elementos que conhecemos até através da conversa com outros personagens, a agressividade que também poderá sofrer influência do nosso aspeto ao entrar nos diálogos e para aqueles que tiverem boas condições financeiras, também poderá utilizar ouro para convencer até o inimigo mais resistente a olhar para a sua situação com uma atenção “diferente”. Ao entrar num dialogo, será mostrada uma barra de reputação de Henry e de quem ele está a conversar, nela será possível ver o total de dialogo, carisma e força, mas nem sempre essas informações vão aparecer simplesmente ao conversar com alguém, então por vezes será uma clássica situação de tentar persuadir alguém as cegas. Porém, também existirão situações, onde poderá influenciar esses valores de outras maneiras, por exemplo, persuadir alguém através da força será muito mais fácil, se ao entrar num dialogo estiver acompanhado de amigos ou se ao tentar fazer negócios, tiver de alguma maneira afetado fisicamente ou psicologicamente o mercador, mas cuidado ser descoberto a fazer algo ruim também tem consequências e nem sempre é a morte. Mas isso é algo que o jogador irá dominar através de tentativa e erro, isso é inevitável.

E é aqui que surge um elemento interessante e que é bem conhecido dos jogadores e entusiastas de alguns jogos da franquia The Elder Scrolls, a evolução através da familiaridade. A melhor analogia possível para explicar isso, é imaginar Henry como uma grande tela em branco, onde cabe ao jogador escolher quais as cores que deseja para produzir a sua obra de arte. Então a melhor maneira de se tornar hábil em lutas de espada, é simplesmente lutar, a melhor maneira de ganhar resistência é estar constantemente a levar a sua resistência ao limite (a, por exemplo, correr), assim como a melhor maneira de aprimorar as suas habilidades em cima de um cavalo, é basicamente passar o máximo de tempo em cima dele. Apesar de funcionar muito bem em outras franquias, em Kingdom Come: Deliverance, ela não só funciona muito bem como faz sentido, afinal qual a melhor maneira de nos próprios aprendermos algo, se não, estar constantemente em contato com aquilo.

A representação mais simples e extremamente importante desse sistema de aprendizado, é justamente o aprender. Calma já explico, estamos a falar de Idade Média, onde 80% da população comum trabalhava em postos de trabalho onde a melhor maneira de aprender era justamente a queimar a mão, se cortar, ser enganado, etc. Então Henry não foge a isso, com a sua habilidade de leitura a ser praticamente inexistente, então os livros serão importantes para aperfeiçoar diversas habilidades, principalmente alquimicas, mas antes mesmo de começar a ler um livro, primeiro terá que aprender a ler.

Em relação aos gráficos, a situação fica um pouco mais complicada sendo o jogo um grande acumulo de contrastes. Em diversos momentos enquanto jogamos, Kingdom Come: Deliverance, entrega cenários que simplesmente fazem brilhar os olhos dos apaixonados por arquiteturas e ambientações da Idade Média com castelos imponentes, centros de comércio, casas simples de madeira, forjas sempre a soprar chamas enquanto o ferreiro alimenta o fogo, porém, algumas texturas sofrem de um grande problema de renderização tardia.

Porém, onde mais será possível notar de maneira mais constante essa irregularidade gráfico, é nos personagens, que a distância até não será possível notar qualquer problema e apesar de não se tratar de uma época onde haviam grandes aglomerações de pessoas a todo momento e em todo lugar, há locais onde a presença humana será sentida e as suas animações seja na vida cotidiana ou em combate é praticamente isenta de criticas negativas. Porém, quando a questão se foca na movimentação de Henry, por exemplo, a discrepância é notável, com uma atenção incrível para determinadas ações, enquanto outras não são minimamente naturais. Ou, por exemplo, quando o foco passa para a textura da pele de um personagem, é possível notar até as suas rugas naturais ao movimentar o rosto, mas muitas vezes o seu olhar é totalmente vazio e sem vida.

 

Outro problema comum, esse mais ao nível de desempenho são os loadings. É inclusive possível notar um pouco disso, no vídeo ao final da análise, mas enquanto abrir uma porta não inicia um loading, toda vez que irá iniciar um dialogo esse acontece e sendo um jogo onde haverá muitos diálogos, por vezes a espera para iniciar o dialogo e sair dele se torna algo cansativo. O melhor exemplo, que reúne diversos elementos onde a má otimização é notável, é justamente na transição entre a cutscene inicial do jogo e o menu principal, que até se justificaria se a renderização da imagem ainda não estivesse a ser feita, mesmo após o loading. O jogo ainda traz algumas quedas de frames (jogo foi analisado na sua versão para PlayStation 4).

O áudio há que separar aqui a banda/trilha sonora e as vozes na hora de se analisar o jogo. A banda/trilha sonora na sua totalidade instrumental combina perfeitamente com o período histórico que está sendo representado, sem grandes problemas. Já as vozes, trazem algo semelhante aos gráficos, já que enquanto alguns personagens, principalmente os principais, receberam uma grande atenção, enquanto em personagens mais secundários, é possível notar visivelmente uma falta de sincroniza. Não, será algo que irá afetar a experiência do jogador, a menos que ele seja muito detalhista.

Algo que infelizmente também há que destacar é a falta de legenda em português, o que não seria um problema muito grave, se um dos elementos mais importantes (se não mesmo, o mais importante) não fosse justamente a historia e os diálogos. Então é praticamente certo, que uma pessoa que não tenha um bom domínio do inglês ou pelo menos do espanhol, terá a sua experiência consideravelmente afetada de maneira negativa por essa ausência.

 

Conclusão

Em resumo, Kingdom Come: Deliverance é definitivamente um jogo para um público muito mais específico do que a maioria dos RPGs do mercado, já que para além da completa ausência, de fatores místicos ou mitológicos, também possui um ritmo que muitos poderão considerar lento e que exigirá uma grande paciência em diversos fatores do seu gameplay. Entretanto, na minha opinião pessoal, a sua limitação de público não é necessariamente uma qualidade negativa, muito pelo contrário, numa indústria onde cada vez mais uma das frequentes criticas negativas é a falta de inovação, a Warhorse Studios trouxe exatamente isso, um jogo que apesar de não ter sistemas inovadores, vai buscar no seu conceito aquilo que lhe dá uma identidade própria e fará muitos jogadores descobrirem que a espera de quatro anos trouxe uma grande recompensa em formato de um jogo de RPG onde até os pequenos detalhes são importantes.

A apesar de inevitavelmente a se tratar de uma análise os seus problemas serem impossíveis de não serem mencionados, a grande maioria deles é muito mais o resultado da inexperiência do estúdio e talvez até o desejo de voar mais alto do que seria capaz e ainda assim entregar um jogo ao nível do que era esperado, mas há sempre que ressaltar que estamos a falar do primeiro grande projeto da Warhorse Studios.

 

Jogo analisado com uma cópia para PlayStation 4 fornecida pela Warhorse Studios ter colaborado na campanha de financiamento coletivo no Kickstarter.

 

 

 

 

Kingdom Come: Deliverance

Kingdom Come: Deliverance
7.9

Total

8.0 /10

História

9.5 /10

Gráficos

6.0 /10

Áudio

7.0 /10

Longevidade/Replay

9.0 /10

Prós

  • Um RPG que traz um elemento realista que vai no sentido oposto da conformismo de alguns estúdios
  • Um sistema de combate com características próprias e altamente viciante e visceral
  • Uma excelente representação da Idade Média tanto em historia quanto em características sociais.
  • Um sistema de progressão que inclusive se adapta ao conceito de realismo e época.
  • Um personagem comum e que o jogador poderá facilmente se identificar
  • Sistema de dialogo e narrativa de qualidade e que recebem o maior destaque dentro do proposta do jogo.

Contras

  • Um jogo muito destinado a um público específico, o que poderá afastar uma grande parte dos jogadores
  • Problemas frequentes de desempenho
  • Problemas gráficos que apesar de não afetar negativamente a experiência, são facilmente notáveis
  • Loadings excessivos e por vezes demorados
  • A ausência de ao menos a opção de legenda em português