Análise – Monster Hunter: World

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Capcom

Capcom

RPG de Ação

26 de Janeiro de 2018

Inglês, Alemão, Japonês, Italiano, Francês e Espanhol

Inglês, Alemão, Japonês, Espanhol, Português do Brasil, Polaco, Árabe, Italiano, Francês e Russo

14.3 GB (PS4) / 13,63 GB (XboxOne)

Co-Op para até 4 jogadores

A fazer a sua estreia em 2004 no auge da PlayStation 2, a franquia Monster Hunter transformou uma ideia até simples num sucesso que ultrapassou todos os limites, mas ainda assim com a maior parte dos fãs localizado no Japão. Os jogos da franquia basicamente consistem num RPG de ação, num mundo dominado por criaturas estranhas e na sua maioria gigantesca, com um estilo de combate livre e estratégico que exige do jogador uma dedicação a aprender como lidar com cada situação e o sistema de combate.

Apesar de ter “nascido” numa plataforma da Sony, o jogo esteve um pouco afastado da marca, com a sua terceira e quarta geração a marcar presença apenas nas consolas/consoles da Nintendo e é justamente com Monster Hunter World que 10 anos depois a franquia retorna e para um público muito mais amplo, apesar de curiosamente, ausente agora na Nintendo Switch.

Anunciado na E3 2017, Monster Hunter: World gerou um hype que para muitos foi até surpreendente (acredito que até para a própria Capcom) o que ajudou o jogo a alcançar até aqueles que não conheciam a franquia, mas também colocou uma pressão adicional nas mãos da Capcom de entregar uma experiência que fosse de encontro a isso. E a resposta do estúdio foi um jogo lançado simultaneamente em todo o mundo e que correspondeu a muito daquilo que os jogadores esperavam.

O jogo segue a história de caçadores que vão enviados ao Novo Mundo para investigar a migração dos Dragões Anciões, um misterioso evento que está a causar até mudanças no ecossistema da região e o nosso personagem é justamente um desses caçadores que pertence à 5.ª Frota e que por motivos que poderão ver no vídeo ao final da análise, chega ao Novo Mundo de uma maneira bem mais alternativa que os outros.

Isso é basicamente o mais importante da história, com Monster Hunter: World a seguir os passos dos seus antecessores, com uma história que está presente (talvez um pouco mais nesse), mas que, no fundo, serve muito mais como motivação do que realmente um conteúdo a se destacar. Apesar disso, desde os primeiros momentos, o jogo consegue perfeitamente apresentar cada personagem e a sua personalidade, o que mostra que a Capcom realmente se dedicou a esses personagens, já que mesmo um personagem secundário é facilmente diferenciado de outro.

Mas como já foi dito, não será a história que fará os jogadores se lembrarem de Monster Hunter: World, mas sim as suas criaturas e principalmente os combates. O jogo basicamente consiste em caçar monstros, então esse combate era realmente importante estar a altura e nisso a Capcom não decepcionou, com cada caçada a trazer um sentimento de tensão e aprendizado, já que apesar de ser um RPG, pressionar botões aqui não é suficiente, o jogador precisará ir além e encontrar o seu próprio estilo e cadencia de combate para cada situação, arma e monstro.

O jogo oferece um total de 14 tipos de armas, que variam entre armas de curto e longo alcance, e possuem características próprias que vão de encontro a cada tipo de jogador. Por exemplo, ao escolher a espada pesada o jogador irá abdicar da velocidade e mobilidade para enterrar uma grande espada no corpo do inimigo, porém, caso escolha as espadas duplas, terá uma grande agilidade e poderá escapar com maior facilidade dos ataques, mas irá gastar muito mais tempo e até recurso para abater um monstro.

E é aqui que Monster Hunter: World realmente marca a diferença, porque essa é sem dúvida a escolha mais importante de todo o jogo, pois, mesmo que seja possível alterar a arma ao longo da aventura, não é totalmente aconselhado já que cada arma irá oferecer ao jogador uma experiência completamente nova dentro do jogo e é sempre melhor se tornar um especialista naquela arma. E também é aqui que o jogo irá ou não conquistar o jogador, já que aqueles que esperam escolher a arma e pressionar botões vão se decepcionar muito e podem inclusive ter uma experiência terrível.

Em Monster Hunter: World a sequência de golpe é muito mais importante do que a quantidade de vezes que consegue pressionar um botão, já que insistir num mesmo golpe até poderá ter efeito, mas saber combinar cada movimento fará o jogador entrar num outro nível de experiência. Por exemplo, até pela experiência que tive na beta eu escolhi para iniciar a minha aventura a “Lançaarma“, uma arma que consiste num espada e escudo com o diferencial dessa espada ter acoplada a ela uma arma de fogo. Ela é a arma mais simples e indicada para quem não tem tanta experiência na franquia, já que traz um certo equilíbrio não sendo nem muito pesada e nem leve, porém, é uma arma que possui munição, o que traz um limitador já que o jogador precisará estar constantemente a carrega-la caso queira tirar o máximo dela, e é aí que entra a combinação de movimentos já que é totalmente possível ao utilizar uma sequência atacar, disparar todas as munições num ataque mais forte, fazer um carregamento rápido e voltar a atacar sem aquele sentimento de “eu vou morrer se parar para recarregar agora”.

Outro limitador que já é bem conhecido dos fãs da franquia, é o fio da arma. Algumas armas a medida que são utilizadas vão perdendo o fio e nesse momento o jogador precisará encontrar o momento certo ou um local seguro para ajoelhar e afiar, pois, isso irá influenciar diretamente no dano causado ao monstro. Mas se está preocupado em encontrar o seu próprio estilo e não o quer fazer diretamente nos inimigos, não precisa se preocupar, é possível experimentar e/ou aprimorar a sua habilidade com cada arma, numa área que não, terá qualquer inimigo, isso permitirá aprender também as sequências essenciais de cada arma.

Por ser um RPG, a exploração será essencial e no caso de Monster Hunter: World, é parte da experiência já que cada caçada é dividida em duas partes: a “Investigação” e o “Confronto”. A investigação consiste no jogador rastrear o monstro através de ossos, marcas de garras e outros indícios deixados por cada criatura e sendo esses destacados pelos “guialumes“, uma espécie de inseto que indica a posição e direção de objetos importantes. Já o confronto como o próprio nome já indica é o combate em si com o monstro que poderá se prolongar e ganhar novas variáveis a depender do tempo que o jogador precisará para derrotar aquele monstro.

Mas apesar do nome do jogo ser Monster Hunter, não é apenas de caçadas a monstros que o jogo se resume, também é explorar aquilo que o cenário terá a oferecer, com plantas que posteriormente poderão ser utilizadas para produzir itens ou até mesmo serem cultivadas e tornarem-se num fonte de dinheiro rápida para o jogador, ou até mesmo recursos obtidos dos monstros que serão essenciais para a evolução do seu personagem.

E aqui surge outro detalhe curioso de Monster Hunter: World (da franquia como um todo inclusive). Os fãs e entusiastas do género RPG estão acostumados a lutar, obter recursos e aumentar o nível do seu personagem, mas aqui isso não irá acontecer dessa maneira. O jogo não oferece opção de nível para o seu personagem, ao invés, disso a evolução será feita através da recolha de informação e recursos. Ao recolher informações sobre um determinado monstro, o jogador irá aprender os seus hábitos, vulnerabilidades, pontos fracos, entre outras informações, o que permite ao jogador mesmo que não obtenha sucesso no confronto, ainda assim tirar algo de útil do combate. E ao derrotar o monstro, será possível recolher itens dele que posteriormente poderão ser utilizados na criação ou melhoria de terminada arma ou armadura. Com isso, o personagem em si não evolui de nível, ao invés o jogador fica mais preparado para enfrentar aquele monstro e após o derrotar mais preparado para iniciar uma nova caçada.

Algo que os jogadores também terão de aprender, é a lidar com elementos. Alguns monstros do jogo, para além do dano normal também oferecem danos elementais sendo dividido em cinco: Fogo, Gelo, Agua, Raio e Dragão. Então alguns monstros serão praticamente imunes a dano de fogo e os seus ataques infligem no jogador dano de fogo adicional e que irá retirar vida por um tempo extra, porém, isso também os torna fraco contra agua, permitindo assim ao jogador infligir um dano muito maior. Para além disso, conhecer aquele monstro permitirá ao jogador se preparar contra os efeitos que ele causa, então um monstro que causa dano de fogo, poderá não ser um desafio tão grande, se a armadura tiver resistência a esse elemento. Ou seja, conhecer o seu inimigo muitas vezes será a melhor arma contra ele.

Graficamente o jogo está simplesmente impressionante, com os jogadores facilmente a serem perdoados se esquecerem por alguns segundos que estão numa caçada para apreciar o cenário. As áreas possuem um tamanho considerável e uma grande diversidade, com ambientes abertos, cavernas mais estreitas e diferentes tipos de ecossistemas e principalmente ecossistemas vivos, então não é tão raro assim, o jogador encontrar situações em que ele não é o único a caçar pelo mapa, com até mesmo criaturas com um tamanho considerável a terem predadores e numa situação onde o seu alvo se tornou um alimento, sem dúvida alguma, o combate que antes já seria difícil contra um, vai exigir muito mais habilidade para lidar com aquela situação quase impossível.

Monster Hunter: World permite ao jogador ter toda essa experiência totalmente sozinho, mas algo que merece sem dúvida atenção, é a possibilidade de caçar os monstros em parceria com mais três jogadores. Apesar do tamanho do mundo e diversidade de conteúdos, o modo online é incrivelmente estável e jogar com outras pessoas é uma experiência que até mesmo aqueles que não gostam muito dessa interação (eu sou um bom exemplo disso) deve ao menos numa missão experimentar. Em relação à divisão de recursos nesse momento, a Capcom conseguiu entregar algo justo, com cada jogador a recolher a mesma quantidade de itens.

Essa interação permitirá, por exemplo, criar estratégias extremamente poderosas para lutar contra um monstro, ao ter um jogador que poderá causar dano e efeitos a distância, enquanto outro atrai toda a atenção para si a receber a maior parte do dano enquanto os outros dois criam ataques variados.

Mas mesmo aqueles que não quiserem jogar com outros jogadores, nunca vão estar totalmente sozinhos já que cada caçada será feita em parceria com os populares Amigatos/Palicos que são companheiros controlados pela IA e que vão ajudar o jogador em vários momentos do combate ao recolher recursos, criar armadilhas ou até mesmo domar monstros menores e utiliza-los contra monstros maiores.

Como já era de se esperar, a longevidade de Monster Hunter: World é suficiente para fazer com que o jogador fique algumas semanas sem muita interação social, com aqueles mais dedicados a conseguirem ultrapassar a marca de 70 horas de jogo com grande facilidade.

Outro elemento a se destacar é que Monster Hunter: World é o primeiro jogo da franquia que traz legendas e menus em português do Brasil. Isso torna o jogo muito mais acessível para os países de língua portuguesa, principalmente que oferece tantas opções. A qualidade também da tradução feita, é algo a se elogiar, sendo realmente um trabalho a merecer elogios.

Um detalhe que pode passar despercebido para alguns, é que existe a opção de voz para o idioma do universo de Monster Hunter (podem ver isso no vídeo ao final da análise), mas se é uma daquelas pessoas que ficam incomodadas com falta de sincronia na animação, talvez essa não seja a opção mais indicada, já que a falta de sincronia entre o movimento da boca e o que foi dito em vários momentos é evidente.

A música do jogo faz lembrar muito os jogos de RPG clássico, com predominância de sons instrumentais nos momentos mais calmos do jogo, e a deixar o próprio som do ambiente e dos monstros como destaque durante a caçada.

Conclusão

Em resumo, Monster Hunter: World é um jogo que surpreende a todo momento, sendo um jogo que poderá agradar a maioria dos jogadores e fãs de RPG, que mesmo com toques claramente orientais, ainda consegue ser acessível aos jogadores ocidentais, sendo possível sem exageros que muitos após poucas horas já considerem uma obra-prima dentro do seu género.

Monster Hunter: World é um jogo acessível, envolvente, desafiador e divertido, com uma ambientação impressionante, uma grande diversidade de ecossistemas sendo esses muito vivos. Para além disso, a promessa de novos conteúdos e monstros através de atualizações gratuitas, prometem fazer com que o jogador não queira sair desse universo tão cedo.

 

Monster Hunter: World

Monster Hunter: World
9.4

Total

9.5 /10

História

8.0 /10

Gráficos

10.0 /10

Áudio

9.5 /10

Longevidade/Replay

10.0 /10

Online

9.5 /10

Prós

  • Apesar de eventuais mudanças, a essência do jogo ainda é sentida em vários pontos.
  • Um ecossistema vivo e incrivelmente
  • Online estável e que proporciona uma grande diversão.
  • Legendas em português do Brasil o que torna o jogo mais acessível
  • Cada arma oferecer uma experiência totalmente nova ao jogador
  • Um jogo exigente, mas que também consegue ser muito gratificante e divertido

Contras

  • Gostaria que houvesse maior variedade de combos para algumas armas
  • Apesar de fazer parte da essencial do jogo, ele pode não ser tão acessível a outros fãs de RPG pelas suas mecânicas
  • Por vezes durante um combate mais frenético a camera pode causar alguns problemas